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MANIFESTO · O FUNDADOR

Não me interessa apenas o que aparece. Me interessa o que faz aparecer.

Estudo Física Médica na UFMG — a disciplina que descreve o corpo humano com os instrumentos da física. O Instituto Carolina Zanetti nasceu de uma pergunta que essa formação me obrigou a levar a sério: o que está acontecendo por baixo do sintoma?

Matheus Nizothec Fundador e idealizador
FIG. 01
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A origem

Matheus Nizothec, fundador e idealizador do Instituto Carolina Zanetti
FIG. 01 · O FUNDADOR Matheus Nizothec Fundador e idealizador. Estudante de Física Médica na UFMG.

Desde muito cedo, desenvolvi uma relação difícil com respostas prontas.

Enquanto a escola me ensinava a reproduzir, minha mente queria compreender. Enquanto uma tarefa era apresentada como algo que simplesmente deveria ser feito, eu procurava entender por que ela existia, qual era sua finalidade e onde aquilo se encaixava dentro de uma estrutura maior.

Copiar mecanicamente o conteúdo do quadro, repetir procedimentos ou cumprir tarefas sem compreender seu sentido produzia em mim um tipo particular de atrito. Não era apenas desinteresse. Era a sensação de que alguma coisa essencial havia sido retirada do problema.

Eu queria entender o mecanismo.

Queria saber o que estava por trás do fenômeno, quais variáveis estavam envolvidas, quais relações permaneciam invisíveis na superfície e por que determinada coisa acontecia daquela maneira — e não de outra.

Com o tempo, percebi que essa não era apenas uma característica da minha forma de estudar. Era uma maneira de enxergar o mundo.

Sempre que encontro um problema aparentemente simples, minha tendência é procurar sua arquitetura.

Uma dor não é apenas uma dor.Um sintoma não é necessariamente a doença.Um comportamento não existe isoladamente.Um corpo não funciona separado da mente.E uma pessoa não pode ser compreendida apenas pela soma de seus sintomas.

Foi dessa inquietação que nasceu minha forma de trabalhar.

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A busca pelas causas fundamentais

Minha formação é em Física Médica, na UFMG: bacharelado em Física com formação em Física Médica e Núcleo Avançado.

No mesmo percurso em que estudo eletromagnetismo, física quântica e métodos computacionais, estudo anatomia humana, radiobiologia, formação de imagem médica e o que acontece quando energia atravessa um tecido vivo.

FIG. 02
O corpo Anatomia humanaRadiobiologia aplicadaFísica aplicada a medicina
A medida Interação da radiação com a matériaConceitos em imagens médicasDetecção das radiações e instrumentaçãoRadioproteção
O modelo Métodos computacionais em físicaMétodos da física teóricaEstatística e probabilidadesTermodinâmica e física estatística

Duas mil e quatrocentas horas construídas em cima de uma única ideia: um corpo pode ser medido.

Foi isso que me ensinou a exigir mecanismo antes de conclusão. Em física médica, uma imagem nítida não é resultado. Resultado é saber o que aquele sinal representa, com qual incerteza ele foi obtido e o que ele não é capaz de mostrar.

A física me ensinou também que fenômenos complexos não deixam de obedecer a relações, mecanismos e estruturas apenas porque são difíceis de compreender. A dificuldade está justamente em descobrir essas relações.

Mas a mesma formação me ensinou o seu limite. Nenhuma equação simples dá conta da experiência de uma pessoa.

O ser humano é um sistema de outra natureza.

Existe biologia, mas também existe história.Existe neuroquímica, mas também existe comportamento.Existe fisiologia, mas também existe percepção.Existe o cérebro, mas existe também a maneira como uma pessoa interpreta o próprio mundo.

Foi nesse ponto que meus interesses começaram a convergir.

Física.Neurociência.Medicina.Psicologia.Filosofia.Sono.Comportamento.

Essas áreas, à primeira vista distantes, começaram a formar uma mesma pergunta:

o que realmente está acontecendo por trás daquilo que conseguimos observar?

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Entre a precisão e a complexidade humana

Minha relação com a neurociência nasceu, em parte, da necessidade de compreender a própria arquitetura da atenção, do comportamento e da experiência humana.

Ao estudar o TDAH e sua neurobiologia, encontrei uma literatura científica que permitia olhar para questões que durante muito tempo haviam sido tratadas de maneira superficial.

Também encontrei, na filosofia, uma linguagem para pensar aquilo que a ciência descreve por outros caminhos.

Byung-Chul Han, em A Sociedade do Cansaço, tornou especialmente evidente uma questão que considero central para compreender o mundo contemporâneo: estamos vivendo em uma cultura que transforma desempenho, produtividade e disponibilidade permanente em valores quase absolutos.

Ao estudar diferentes modelos sobre comportamento, evolução, atenção e adaptação — incluindo a hipótese do “caçador versus agricultor” discutida por Thom Hartmann — e confrontá-los com a literatura científica contemporânea, fui percebendo que respostas binárias quase nunca são suficientes.

A realidade é mais incômoda.Mais complexa.E, justamente por isso, mais interessante.

Não acredito em explicações que transformam pessoas em rótulos.

Não acredito que todo problema tenha uma única causa.

E desconfio profundamente de soluções que prometem resolver fenômenos complexos através de uma única intervenção.

Meu interesse está no espaço entre essas coisas.

Na interação.Na causa que não aparece imediatamente.Na variável que foi ignorada.Na relação entre sistemas que normalmente são estudados separadamente.
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O corpo não existe em compartimentos

Foi essa visão que acabou dando origem ao Instituto Carolina Zanetti.

A ideia nunca foi simplesmente criar mais um espaço de atendimento.

Foi criar uma maneira diferente de investigar.

Na prática clínica, é tentador separar tudo em categorias:

dor aqui;
sono ali;
ansiedade em outro lugar;
bruxismo em outro;
cefaleia em outro.

Mas o organismo não respeita necessariamente essas divisões.

O paciente também não.

Uma pessoa chega com dor, mas talvez sua história envolva sono ruim.
O sono pode estar relacionado ao estresse.
O estresse pode alterar comportamento e percepção.
A percepção pode amplificar a experiência dolorosa.
A dor pode comprometer o sono.
E o ciclo continua.

Isso não significa que todos os problemas tenham a mesma causa.

Significa algo mais importante:

precisamos investigar antes de simplificar.

É por isso que o Instituto trabalha a partir de uma perspectiva integrada, aproximando diferentes territórios do cuidado e diferentes formas de conhecimento.

Não para transformar tudo em uma única explicação.

Mas para não ignorar aquilo que acontece nas fronteiras entre elas.

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Por que Instituto?

A palavra “Instituto” não foi escolhida por acaso.

Ela representa uma ambição maior do que oferecer procedimentos.

Representa um lugar de investigação, conhecimento e cuidado.

Um lugar onde medicina, ciência, comportamento e experiência humana possam conversar sem que uma área precise fingir que possui todas as respostas.

Quero que o Instituto seja um ambiente onde perguntas difíceis possam existir.

Onde a investigação venha antes da conclusão.Onde o diagnóstico não seja apenas uma etiqueta.Onde tecnologia seja utilizada como instrumento — e não como substituto do pensamento clínico.E onde cada paciente seja compreendido como um sistema singular, com uma história, um contexto, um organismo e uma experiência própria.
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O que estamos construindo

O futuro da medicina não deveria ser simplesmente mais tecnológico.

Deveria ser mais inteligente.

Tecnologia pode ampliar nossa capacidade de observar.Dados podem revelar padrões.Inteligência artificial pode ajudar a organizar informação.A ciência pode refinar nossas hipóteses.

Mas nenhuma dessas ferramentas elimina a necessidade fundamental de pensar.

Pelo contrário.

Quanto maior a quantidade de informação disponível, maior precisa ser nossa capacidade de distinguir sinal de ruído, evidência de hipótese, correlação de causalidade e explicação real de narrativa conveniente.

É essa cultura que quero construir no Instituto.

Uma cultura de investigação.De integração.De rigor.De curiosidade.E, acima de tudo, de respeito pela complexidade humana.
PARA QUEM

Se você chegou até aqui, talvez esteja procurando mais do que uma resposta rápida.

Talvez você já tenha recebido uma explicação que não fez sentido.Talvez tenha tratado uma coisa enquanto outra continuava acontecendo.Ou talvez simplesmente queira compreender melhor aquilo que está acontecendo com você.

É para esse tipo de pessoa que o Instituto existe.

Não prometemos simplificar aquilo que é complexo.

Prometemos investigar com profundidade.

QUEM ESCREVE, QUEM ATENDE
Retrato de Matheus Nizothec
Matheus Nizothec Fundador e idealizador · autor deste texto

Estudante de Física Médica na UFMG — bacharelado em Física com formação em Física Médica e Núcleo Avançado. Fundador da Nizothec, laboratório de inovação e tecnologia, e da Smaltoos, sistema operacional para clínicas.

Não é profissional de saúde e não realiza atendimento clínico. Escreve sobre método, investigação e a arquitetura do cuidado.

Retrato da Dra. Carolina Zanetti
Dra. Carolina Zanetti Cofundadora · responsável clínica

Responde pela conduta clínica do Instituto. Toda avaliação, diagnóstico e tratamento é realizado por profissionais habilitados.