Minha formação é em Física Médica, na UFMG: bacharelado em Física com formação em Física Médica e Núcleo Avançado.
No mesmo percurso em que estudo eletromagnetismo, física quântica e métodos computacionais, estudo anatomia humana, radiobiologia, formação de imagem médica e o que acontece quando energia atravessa um tecido vivo.
FIG. 02
O corpo
Anatomia humanaRadiobiologia aplicadaFísica aplicada a medicina
A medida
Interação da radiação com a matériaConceitos em imagens médicasDetecção das radiações e instrumentaçãoRadioproteção
O modelo
Métodos computacionais em físicaMétodos da física teóricaEstatística e probabilidadesTermodinâmica e física estatística
Duas mil e quatrocentas horas construídas em cima de uma única ideia: um corpo pode ser medido.
Foi isso que me ensinou a exigir mecanismo antes de conclusão. Em física médica, uma imagem nítida não é resultado. Resultado é saber o que aquele sinal representa, com qual incerteza ele foi obtido e o que ele não é capaz de mostrar.
A física me ensinou também que fenômenos complexos não deixam de obedecer a relações, mecanismos e estruturas apenas porque são difíceis de compreender. A dificuldade está justamente em descobrir essas relações.
Mas a mesma formação me ensinou o seu limite. Nenhuma equação simples dá conta da experiência de uma pessoa.
O ser humano é um sistema de outra natureza.
Existe biologia, mas também existe história.Existe neuroquímica, mas também existe comportamento.Existe fisiologia, mas também existe percepção.Existe o cérebro, mas existe também a maneira como uma pessoa interpreta o próprio mundo.
Foi nesse ponto que meus interesses começaram a convergir.
Física.Neurociência.Medicina.Psicologia.Filosofia.Sono.Comportamento.
Essas áreas, à primeira vista distantes, começaram a formar uma mesma pergunta:
o que realmente está acontecendo por trás daquilo que conseguimos observar?